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Empoderamento

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Cara de alívio de quem cruzou a linha de chegada! (Detalhe do timer, que está “errado”, porque meu grupo começou a correr 20 minutos depois do início).

Quem me conhece sabe que eu sou a favor de exercícios e de desafios. Mas, para ser sincera, alta intensidade não é muito comigo. Já tive algumas lesões, então prefiro algo mais controlado, para que eu possa ter mais consciência do que meu corpo está fazendo e como está reagindo a cada estímulo.

Correr nunca foi a minha.

Tentei algumas vezes, senti o joelho, parei. Mas isso foi antes de eu descobrir que o problema que eu tenho no joelho na verdade é um “defeito de fábrica”, não tendinite como eu havia sido diagnosticada aos 16 anos. Isso significa que eu tenho condições de reforçar minha musculatura e fazer tudo que eu quiser. E eu tenho feito esse trabalho de fortalecimento sem parar desde 2014 quando eu tive essa notícia.

Shaun, o namorado, gosta de correr. Ou melhor, não gosta, mas acha positivo. E me convenceu a tentar. Inicialmente só com o objetivo de melhorar nosso condicionamento físico. Começamos no meio de Janeiro deste ano (2019) a correr 1,5km. Depois aumentamos gradualmente.

No início de abril tivemos a notícia de que em julho teria a corrida de 10K que passa na porta da nossa casa. Ele se inscreveu e basicamente me obrigou a fazer o mesmo. E começamos a treinar. Todo domingo. Re-li-gi-o-sa-men-te.

Nesse período meu joelho doeu, eu travei as costas malhando, rolou tendinite no pé, enfim, deu de tudo! Mas eu só perdi um domingo de treino. E eu comecei a treinar na academia também, na esteira, e alguns dias na rua sozinha durante a semana.

No fim do treinamento estávamos correndo 9K. Nada fácil e eu passava 80% do tempo reclamando. Shaun aguentou heroicamente meu nível bitchy extreme. Palmas pra ele.

O dia da corrida chegou, foi no domingo, dia 14 de julho (2019). Eu estava tão nervosa! Acordei e tudo doía, joelho, pé, costas…

Shaun falou pra eu beber bastante água antes da corrida e eu obedeci. Acordei, fui ajeitando as coisas, tomando café e bebendo água. Chegamos na praça onde ia começar e eu estava apertada pra ir ao banheiro, óbvio. Fila do químico, eu estava lá!

Aí começamos.

Logo no início eu falei: quero ir ao banheiro de novo! Shaun me olhou torto. Eu segurei. Quando chegamos em 3K eu pensei: não vai dar! Preciso do banheiro! Meu grande arrependimento foi ter bebido tanta água de manhã.

Resultado, quando a corrida passou na porta de casa, eu corri pro banheiro. Foi o xixi mais rápido do mundo, em 1 minuto eu já estava de volta correndo. Aceleramos pra alcançar o mesmo grupo de estávamos antes e conseguimos!

Por volta de 7K eu comecei a ligar meu bitchy mode on. Em 8K eu já soltava palavrões aleatórios em inglês e português. Em 9K eu comecei a sentir calafrios e a linha de chegada não aparecia NUNCA! Alguém gritou da calçada: “é assim que virar a curva”! Nossa, que alívio! Shaun pegou me mão e falou “Vamos, você consegue!”. Demos um último gás e num Sprint cruzamos a linha de chegada!

Nossa, que sensação boa! Alívio com vitória, tudo junto!

Sei que muita gente faz isso toda semana, mas pra mim foi uma das experiências mais intensas que eu já tive.

Sinceramente acho que valeu muito a pena para mim. Enquanto casal, criamos uma rotina de exercícios juntos, além de pessoalmente, ter criado uma meta difícil mas ao mesmo tempo atingível. Foi também ótimo fazer parte do evento, estar no meio da multidão, vendo tanta gente com as mesmas dificuldades que eu, a vibração de conseguir finalizar, a conquista de ter feito um tempo razoável (66 minutos pra primeira vez tá bom, né?), mesmo tendo parado pro banheiro… enfim, foi uma verdadeira conquista para mim, eu me percebi capaz de ir além do que eu imaginava poder.

Ainda não sei se eu faço de novo ou não, mas por enquanto, vou ficar nos 5K mesmo e tentar melhorar meu tempo. E quem sabe dormir até tarde no próximo domingo?

A gente apontando a nossa casa, ou seja, o lugar da pausa do xixi! hehe
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