Lendo o post que a Anna e a Dri escreveram (clique aqui para ler) eu comecei a pensar sobre essa relação entre como o outro nos vê e a nossa própria imagem.

Em 2004 eu fiz um primeiro ensaio fotográfico em estúdio. O Google na época me ajudou a achar um fotógrafo que trabalhasse luz e sombra e também com não-modelos. Eu queria me sentir bonita, me ver bonita. A experiência foi ótima! Dia de princesa, sabe?

Foto Manoel Guimarães

Em 2008 eu resolvi fazer um outro ensaio, um pouco mais ousado (eu achei, à época).

Foto Manoel Guimarães

Quase 10 anos depois, em 2017, eu achei que era hora de fazer um terceiro. Eu tinha separado havia pouco tempo, estava na fase de reconstrução da minha autoestima. Eu precisar me ver como uma mulher bonita e, nada como os olhos de outrem eternizados em fotos para tal.

Foto Manoel Guimarães

Lá fui eu novamente, mas dessa vez, mais do que fotos, eu ouvi uma opinião.

Lembro que ele me olhou durante o ensaio e me falou que era bom fotografar uma mulher forte, que sabia o que queria e corria atrás disso.

Nossa! Aquilo foi chocante pra mim. Eu não tive palavras para responder na hora e me colocou para pensar. Sim, eu realmente sou uma mulher forte, eu tenho objetivos, metas, e as busco e tento alcança-las na medida do possível. Mas eu tenho tantas inseguranças que eu nunca imaginei que alguém que não me conhecesse a fundo fosse capaz de enxergar isso em mim! Para ser sincera, naquele momento, eu mesma não enxergava!

E foi ótimo ele me lembrar disso, porque ali, naquele momento de vida, eu tinha esquecido. E essa frase dita por uma pessoa que via através das lentes uma mulher insegura e quebrada pela vida, mas enxergava alguém forte e conquistadora, que me ajudou a me reerguer.

Em 2018 eu decidi fazer um novo ensaio, mesmo fotógrafo. Dessa vez ele teve outra fala que me chocou. Enquanto eu subia e ficava pendurada em uma barra para fazer uma foto suspensa, ele disse “o bom de trabalhar com atleta é isso, consegue fazer essas coisas sem esforço”.

Foto Manoel Guimarães

Para tu-do!

Atleta? Eu? Oi?

Não, eu não sou atleta!

Deixei isso quieto e fui embora. Fui malhar algumas horas depois e coloquei um podcast para ouvir enquanto eu fazia o elíptico. Optmistically Salty, o nome. E ela falava exatamente sobre isso. Sobre não se auto-reconhecer como atleta, até que ela resolveu buscar uma definição para a palavra e essa definição é bem abrangente! Quem é treinado para desenvolver uma atividade física, exercício, esporte. Ressaltou ainda que o “urban dictionary” fala em termos como dedicação, foco e inteligência.

Não é que eu sou atleta?

E não é que quem estava atrás das lentes tinha razão mais um vez?

Pois é, a conclusão disso é que muitas vezes precisamos do olhar de outra pessoa para enxergarmos melhor a nós mesmos. E, também, nos darmos a chance de efetivamente sermos aquilo que buscamos ser, lutamos e, muitas vezes  conseguimos, mas nem percebemos o nosso mérito, pois a vida cobra mais e mais sempre.

Estou buscando ser a melhor versão de mim mesma e me olhar pela lente do outro tem me feito crescer muito e aprender sobre mim mesma.

Quando será o seu próximo ensaio fotográfico?

bjk

@lanna_schmitz
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