Sabe aqueles memes que dizem “nossa, que dia lindo, que vontade de ir correr na praia. É… passou”.

Eu sempre ri e sempre me identifiquei com eles. Academia para mim era mais necessidade que prazer. Eu sempre curti atividades físicas, mas minhas preferências eram mais de danças e esportes. Já nadei, joguei vôlei, futebol, handball; dancei ballet, jazz, contemporâneo, street dance, dança de salão, forró, zouk, tango, zumba, fiz yoga de vários tipos, tecido acrobático, acroyoga… enfim, um monte de atividades diferentes, então ficar dentro da sala de musculação nunca foi minha preferência.

Mas há anos eu tenho um probleminha no joelho. Ou melhor, desde que eu nasci, pois é um problema de nascença, a questão é que só foi descoberto que era isso há 4 anos atrás, até lá eu tratei desde os meus 16 anos como tendinite.

Na verdade o que eu tenho é um encaixe não perfeito da patela, então às vezes ela se mexe quando não deveria, raspa na cartilagem e dói.

Para resolver isso não precisa muito, meu osteopata já conhece e consegue manipular a região de forma a colocar no lugar.

E como resolver isso de vez? Não tem solução definitiva, o ideal é evitar que saia do lugar e, para isso, se exige o mesmo tratamento que eu tinha sido recomendada quando achava que era tendinite: musculação.

Eu preciso fortalecer a musculatura para não dar espaço para os ossos se mexerem.

O mesmo vale para o meu cóccix, fraturado há uns anos atrás.

Ou seja, para mim musculação é uma questão de saúde.

Quando eu estava em uma crise do joelho em 2014 (ano que eu descobri que não era tendinite), comecei a fazer fisioterapia normal para diminuir a dor e depois consultas com o osteopata e ele me recomendou que eu fizesse pilates e depois que treinasse com um personal trainer.

Lá fui eu, aproveitando a oportunidade para colocar a saúde de uma forma geral em dia.

Malhar com um personal foi ótimo para a minha recuperação. Ele sabia das minhas dificuldades, então ia testando e evoluindo aos poucos. Era um trabalho de longo prazo e o resultado estético, também demorou bastante!

Mas foi lá em 2014 que eu aprendi a ter regularidade.

Eu ia para a academia 3 vezes por semana. O fato de ter um personal dava um gás e ele era ótimo, morava perto da academia e era professor de lá também, então isso dava muita flexibilidade de horário nas eventuais desmarcações que aconteciam.

Nosso treino durava uma hora, então para eu aproveitar o máximo possível desse tempo, eu chegava 15 minutos antes para aquecer naquele aparelho de tortura, ops, digo, de escada.

Quando eu operei em 2015 para colocar a prótese (silicone nos seios) precisei ficar 15 dias parada, mas assim que o médico me liberou eu já estava de volta na academia e, com o personal, ele conseguia me passar os melhores exercícios para forçar menos os membros superiores durante a minha recuperação cirúrgica.

Ou seja, funcionou muito bem para mim!

Em 2016 meu joelho não doía mais, nem meu cóccix, a cirurgia já era história e eu estava me sentindo bem para voltar a malhar sozinha.

Bom, por mim eu teria personal para sempre, mas não deu ($$)…

Foi quando eu me mudei e passei a malhar na Smart Fit, conhecida por dar pouco suporte aos alunos, mas eu sempre fui independente e nunca fui de muita social na academia, então fui ver qual era. Para minha surpresa, os professores da smart onde eu malho (no Jardim Botânico) são ótimos! Estão sempre me corrigindo, montam e mudam minhas séries, tenho zero reclamações.

Quando eu me divorciei, se você leu meus artigos anteriores, já sabe que eu saía de casa pra chorar na academia.

Mas, enfim, eu quis manter meu hábito de ir 3 vezes por semana, regularmente. Readaptei os horários porque minha rotina mudou, mas acabei me encontrando novamente.

Nos primeiros meses pós-divórcio eu não comia muito, na verdade eu tinha umas crises de gula e outras horas eu não conseguia engolir nada, mas, de uma forma geral, não sentia muita fome. E eu não me sentia bem o suficiente para ficar controlando alimentação passando por todo aquele turbilhão de emoções e acontecimentos. Então o que acontecia com frequência era que eu almoçava um bife (só o bife, sem mais nada) e depois jantava uma barrinha de twix. A única refeição que eu consegui manter da minha alimentação anterior era o café da manhã, que eu diariamente fazia minha crepioca com café preto e 1 colher de cottage sem lactose. De resto, era tudo estranho, cada dia eu tinha um desejo diferente e eu resolvi que ia atendê-los. Isso não era nada saudável, mas eu acabei emagrecendo desse jeito.

Conforme fui melhorando psicologicamente, eu fui começando a reintroduzir alimentos mais saudáveis na minha alimentação, valorizando as minhas refeições. Peguei minha orientação nutricional anterior e tentei o máximo possível voltar a ela. Acabei indo em uma nutricionista novamente no início desse ano por conta das mudanças na minha rotina de estudos e trabalho.

Assim, eu vivi os últimos 4 anos praticamente sem parar de ir à academia. Vi meu corpo ir se transformando nos últimos anos diante dos meus olhos.

Eu, que sempre ia malhar com blusa larga e comprida e calça, passei a adotar os short-saia e cropped. A primeira vez que eu tirei a blusa no salão eu olhava em volta com certeza de que a academia inteira estava olhando e comentando sobre a minha barriga (claro que na minha cabeça, todos os comentários eram negativos).

Aos poucos eu comecei a desligar disso e fui acostumando a malhar assim e a gostar mais de me ver no espelho. E, para quem acha que é puro narcisismo malhar de barriga e pernas de fora, é um engano! Quando a gente tem menos roupas tapando o corpo, consegue controlar melhor pelo espelho o movimento e ver se alguns músculos estão sendo forçados como deveriam, especialmente o abdômen.

E aí vai uma dica que meu personal me ensinou lá em 2014.

Eu nunca gostei de abdominal. Odiava quando ele me colocava para fazer. Até que um dia eu reclamei e ele resolveu me dar uma colher de chá. Me explicou que se fizermos os demais exercícios de forma controlada e pensando também no abdômen, esses músculos são solicitados sempre e vão ser fortalecidos.

De lá para cá eu faço muito poucos abdominais e a maioria de forma menos convencional, o que torna a atividade menos entediante.

Depois do carnaval desse ano de 2018 eu resolvi que iria tentar ir à academia mais uma vez na semana, a quarta vez. Eu acreditei que seria um esforço enorme da minha parte tirar mais um dia para malhar.

Mas foi aí que tudo mudou! Na semana primeira semana em que eu fui quatro vezes para a academia, na verdade eu não fui quatro, eu fui cinco! Pois é! Muito estranho! Me deu vontade de ir mais uma vez e eu fui!

E foi na mesma época em que eu decidi começar a jogar beach tennis (eu jogo na rede do Hugo, no Pontão do Leblon) e que começaram as aulas de acroyoga aqui perto de casa (eu faço no Clube Monte Líbano).

Foi a partir dessa minha decisão de ir apenas um dia a mais que meu corpo respondeu positivamente ao estímulo e eu hoje me sinto “viciada” em atividade física.

Na minha rotina atual (junho de 2018) eu continuo indo à academia 5 vezes por semana e faço mais duas atividades lúdicas, completando 7 dias de atividade, ou, pelo menos, 7 momentos de atividade, pois às vezes tem um dia ou outro que eu não consigo malhar e compenso em outro.

E se você acha que continua simples para mim, se enganou.

Eu ainda me sinto evoluindo aos poucos nessa área. Eu não pego um peso absurdo, eu malho pesado sim, mas vou aumentando bem devagar para não lesionar. Eu estou começando a correr, algo que nunca fiz antes por causa do joelho. Mas também não é colocar a esteira no 10 e sair que nem louca. Eu alterno caminhadas com corridas, aumentando gradativamente o tempo e a velocidade das corridas.

E assim eu vou seguindo…

Hoje eu tenho orgulho da saúde e do corpo que eu conquistei e continuo trabalhando para o meu melhor.

O que se precisa ter em mente é que se trata de um resultado de um trabalho conjugado de exercícios regulares com alimentação e de longo prazo. Ou seja, paciência e perseverança são essenciais.

Lanna.London
Author

Lanna Schmitz Em algum lugar da faixa dos 30, escorpiana, viajante, carente e eterna mutante.

7 Comments

  1. Parabéns pela disciplina Lanna. Sua trajetória é interessante e inspiradora.

  2. Camila Fassini Reply

    Lanna, adoro seus posts. Você me inspira. Eu entrei nessa loucura de “putz, fiz 30” e me peguei insatisfeita com minha carreira e corpo. Estou “recomeçando ” e não é fácil. A questão do corpo é a que me causa mais ansiedade, meodeos, porque não posso emagrecer tudo o que quero no tempo que eu quero, hehe. Você falou certo, tem que persistir, ter paciência. Quem sabe aprendo contigo. Beijocas.

    • Lanna.London

      Oi lindinha! Obrigada pela mensagem carinhosa! Fico muito feliz por inspirar alguém e de saber que você também está nessa jornada. É difícil, nunca tem o tempo que a gente gostaria, mas com paciência, quando menos se espera, você está lá. E o processo, apesar de cansativo é muito gostoso, porque a gente passa a ter mais respeito pelo nosso corpo, vai curtindo as pequenas vitórias e a se amar mais. Não é só uma questão de emagrecer, é ser saudável o mais importante! Procura um médico e um nutri pra te ajudar e vai fazendo o que você pode no seu tempo. Se precisar de um empurrão, pode contar comigo aqui!!
      bjk

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