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Quando eu me separei eu ouvi algumas vezes de muitas pessoas “mais fácil para você se separar, não tem filhos, mais simples e dói menos”.

Ao reler isso eu paro e respiro fundo. Não sei por onde começar a discutir esse tópico.

Deixa eu colocar assim, as nossas dores são incomparáveis com as dores dos outros. Claro que podemos nos relacionar, nos comover, entender e sermos empáticos à dor alheia. Mas não diga que a minha dor é menor que a sua. Cada um sente de uma forma.

Tem pessoas que não sofrem muito com a separação, que sentem alívio, liberdade, tantos sentimentos podem estar envolvidos nessa situação! Outras entram em seu casulo e sofrem imensamente.

Só acho injusto dizer que meu sofrimento é menor ou maior, porque ele é o MEU sofrimento, é o que EU estou sentindo.

Sobre não ter tido filhos, acho que logisticamente é óbvio que é mais simples. São menos coisas a resolver, é um vínculo eterno com o outro que eu não tenho. São despesas que eu não preciso resolver, bens que não são discutidos, problemas que eu simplesmente não tenho por não ter tido filhos.

Ou seja, sim, é mais simples em termos de logística.

Mas será que é menos dolorido?

Vamos pensar um pouco sob a minha ótica, a de quem se separou sem filhos.

O primeiro fato a se falar aqui é que eu não tenho filhos, ou seja, não sou mãe.

Considerando que eu gostaria de ter tido a experiência de engravidar, gerar uma vida, cuidar e educar um outro ser humano, o fato de eu ter me separado sem filhos significa uma grande frustração para mim!

O meu sonho de ser mãe foi adiado. Até quando? Não sei, talvez para sempre, quem sabe?

Eu estava pronta para isso, minha mente, corpo e vida estavam todos preparados para essa nova fase, a da maternidade, e ela não veio.

Ou seja, a separação estraçalhou meus sonhos, meu projeto de vida.

Em 2015, se você me perguntasse qual era meu plano de vida, eu tinha tudo mapeado. Meus sonhos, meus planos, tudo arrumado, organizado, ajustando ou em fases de ajustes. Mas eles estavam ali, sólidos na minha mente e nas minhas ações direcionadas a conquistá-los. Só para esclarecer, meu planejamento de vida não era um filho, era uma família.

Aí veio o furacão e com ele se foram os meus sonhos.

Tudo zerado.

Lembro de logo depois de me separar tentar pensar no que eu imaginava para minha vida em 3 anos à frente e eu simplesmente não sabia. Era um grande vazio.

A separação levou consigo os meus sonhos, os meus planos e eu tinha que refazê-los.

Tenho trabalhado nisso, tenho buscado novos objetivos de vida, novas metas, mas vou ser sincera, não é fácil e não é sem dor.

Hoje, dois anos depois, eu continuo sentindo a dor de ver aqueles sonhos ruírem enquanto eu escrevo esse artigo e penso no assunto.

Ou seja, não venha dizer que separar sem filhos dói menos, porque eu posso não ter a dor de ver meu filho ver sua família mudar de forma, mas eu tenho a dor de sequer ter tido essa família e ter meus sonhos destruídos.

Eu desejo que no meu futuro tenha uma família, tenha um filho (a), tenha uma casa com quintal. Mas isso não é mais um plano de vida para um futuro próximo, é um sonho que pode vir a se realizar ou não. Pode ser que eu me case de novo, seja noiva de novo, mas pode ser que não e eu tenho que estar bem com isso. Pode ser que eu não consiga meu emprego dos sonhos e eu tenha que refazer minha carreira de novo e eu tenho que estar bem com isso. Pode ser que eu nunca seja mãe de um ser humaninho e eu tenho que estar bem com isso.

Portanto, mudei o foco para mim mesma, buscando me refazer e ser saudável física e mentalmente e ter novas metas de vida, de carreira, de viagens, de lazer…

A conclusão que tenho a compartilhar é isso, nossos sonhos são mutáveis, muitas vezes a vida nos mostra que é tempo de refazermos tudo, de reajustar nossa vida e nossos planos. E que o sofrimento é sempre sofrimento, não nos cabe medi-lo, a nós, cabe senti-lo, ajudar aqueles que o sentem sem compará-los com o de outrem, mas sim com respeito ao sentimento de cada um e ao momento de cada um.

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