
Outro dia descobri que uma pessoa não gosta de mim porque sou muito simpática e vivo me gravando.
E, sinceramente?
Achei curioso.
Pensei: é absolutamente verdade. Como ela mesma disse: me gravando.
Aquilo me fez refletir sobre o quanto a gente deixa de fazer as coisas por medo do julgamento dos outros.
Já faz tempo que esse tipo de comentário não me atravessa mais.
E isso é resultado de muita terapia e, claro, da maturidade que a vida vai nos entregando ao longo do caminho.
Para algumas pessoas, “me gravar” pode parecer excesso de autoestima, vaidade ou até narcisismo.
Para mim, significa liberdade.
Significa poder existir sem pedir permissão. Poder rir alto, falar demais, registrar um momento bonito ou simplesmente guardar uma lembrança porque ela fez sentido para mim.
Talvez isso também tenha a ver com a forma como enxergo a vida. Penso muito sobre a finitude das coisas. Sobre como um dia tudo passa: os lugares mudam, as pessoas vão embora, as fases terminam e nós também mudamos.
Talvez seja justamente por isso que eu goste tanto de registrar momentos.
Não porque eu queira provar alguma coisa para alguém, mas porque gosto da ideia de dar mais tempo às memórias. Como se, ao apertar o botão de gravar, eu dissesse silenciosamente: isso merece continuar existindo.
A vida toda fui assim.
Era a menina faladeira da sala de aula, a que sonhava em ser atriz, a que levantava a mão para ler os textos, apresentar trabalhos e ser oradora da turma.
Sempre gostei de me comunicar.
Sempre gostei de ocupar espaço.
E talvez seja verdade quando dizem que algumas pessoas tentam tirar justamente aquilo que existe de mais genuíno em nós.
Porque algumas pessoas não se incomodam com o que você faz.
Elas se incomodam com a liberdade que você tem para fazer.
Imagina quantas pessoas deixaram um sonho de lado porque ouviram que falavam demais, apareciam demais, eram exageradas demais, sonhavam alto demais.
Às vezes, a crítica não muda apenas um comportamento.
Ela muda uma personalidade inteira.
Hoje continuo me gravando.
Continuo registrando viagens, cafés, conversas, paisagens, dias comuns e dias extraordinários.
E gosto de saber que muitas dessas lembranças pertencem só a mim.
Nem tudo precisa virar postagem.
Algumas memórias existem apenas para serem revividas por quem as viveu.
No fim das contas, está tudo bem se algumas pessoas não gostarem de você.
Você não precisa da aprovação de todo mundo para existir.
Aliás, talvez seja justamente essa liberdade de ser quem você é que desperte incômodo em algumas pessoas.
E tudo bem.
Porque, quando você finalmente entende isso, acontece algo muito bonito: a opinião dos outros deixa de decidir o tamanho da sua vida.
Então, grave.
Fotografe.
Dance.
Escreva.
Fale.
Ria alto.
Faça aquilo que faz sentido para você.
No fim, a vida passa rápido demais para ser vivida tentando caber na expectativa de quem nunca vai vivê-la no seu lugar.
Seja livre.
Seja você.