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dezembro 2014

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Quando não existimos mais

Para ler ouvindo Fall for you | Leela James

Parece que foi ontem. Lembra?

Uma troca de olhares, um sorriso, um “olá” diferente de todos os outros.

Sim, quase outro dia. Séculos atrás.

Nós dois. Sem nome, sem rótulos. Apenas nós dois e isso, que a gente entendia sem poder explicar.

Então, nos perdemos.

Em alguma curva ou atalho, nos distraímos e nossos caminhos se desencontraram.

A gente se afastou. Talvez não houvesse outro jeito.
Ainda assim, é estranho passar por você na rua e dar um sorriso insosso, como se fossemos apenas conhecidos.
Dividimos a mesma cama, compartilhamos sonhos, revelamos frustrações. E agora você atravessa a rua sem olhar pra trás, como se eu fosse uma vizinha sem nome.

A gente se esqueceu. Talvez tenha sido a maneira que encontramos de seguir em frente. Foi a maneira que eu encontrei.
Acreditar que você não está mais dentro de mim, sabendo que está. Adquirir a habilidade de sentir sem pensar, de lembrar sem sentir, de pensar sem lembrar.

É como olho para você nesse instante. Com a estranheza de sentir algo velho percorrer um corpo em que não cabe mais.

O vento te leva embora por uma esquina. Não te vejo mais.

Vou embora também.

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ju.jpgJuliana Borel é aspirante a escritora e poeta. Pra ganhar dinheiro e pagar as contas é jornalista a maior parte da semana. Pra se inspirar gosta de ouvir Guns, trilhas sonoras e esbarrar por aí em pessoas interessantes. Seu blog procurasepoesia.blogspot.com.br é praticamente seu DNA.

Eu me amo

Para ler ouvindo: Meghan Trainor – All About That Bass

Eu nunca fui a mais bonita. Você sabe bem que meu forte não é a beleza. Meu cabelo não fica bagunçado do jeito que eu gostaria, minhas pernas não são torneadas como as das mulheres que você olha na rua. Definitivamente, não sou da seita da barriga negativa.

Se você me perguntar qual é a última dieta da moda, não vou saber. Porque eu não dispenso uma cerveja pra celebrar qualquer coisa nem o sorvete-barra-chocolate-barra-brigadeiro que alenta minhas mágoas. Minha rua está cheia de academias de ginástica lotadas de mulheres lindas. Não estou entre elas.

É claro que eu adoraria ter uns quilos a menos e o cabelo da Gisele. Também seria legal andar de biquíni na praia sem sentir, por um segundo que seja, vergonha dos furinhos indesejados. Mas, sabe de uma coisa?, eu me acho o máximo. E não, não, peço desculpas pela falta de modéstia.

Se a gente sentar pra conversar dez minutos, pode ter certeza, você vai se apaixonar por mim. E não é porque eu sou linda ou divertida, até porque esses dois conceitos são bem relativos. Não. É pelo simples fato de eu me achar assim. Se tem uma coisa que eu realmente acho que sou, pode escrever aí, é divertida. E diversão, meu bem, é tudo de que se precisa nessa vida, inclusive nos momentos sérios-barra-tristes-barra-tensos.

Quando eu digo que você vai se apaixonar por mim, não confunda com dizer que você vai querer ficar comigo (se for do sexo oposto, provavelmente rs), mas, principalmente, você vai querer ser meu amigo. E fica tranquilo, se eu fiquei dez minutos inteirinhos conversando com você, a vontade é recíproca.

Se você está aí, achando que eu devo ser uma entojada de nariz em pé que se acha a rainha da cocada preta, saiba que está quase certo. Tirando o entojada e o nariz em pé, eu me acho mesmo a rainha da cocada preta, ainda que a cocada seja só minha.

Espero que você se sinta assim também!

#beijinhonoombro

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ju.jpgJuliana Borel é aspirante a escritora e poeta. Pra ganhar dinheiro e pagar as contas é jornalista a maior parte da semana. Pra se inspirar gosta de ouvir Guns, trilhas sonoras e esbarrar por aí em pessoas interessantes. Seu blog procurasepoesia.blogspot.com.br é praticamente seu DNA.

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